Eliane Cabrini
Chefe Adjunta de Gabinete de Conselheiro do TCE/ES
Especialista em Planejamento Estratégico, Administração e Negócios
Formação Executiva em Compliance e Governança no Setor Público

Dentre as definições mais comuns do que é um Compliance Officer, no contexto de uma organização, uma das mais utilizadas é a de que ele é um dos principais responsáveis por garantir que todos os regulamentos internos e externos à empresa sejam cumpridos. Ou seja, é aquele que verificará o cumprimento das regras estabelecidas por clientes, fornecedores, órgãos reguladores dentre outros stakeholders.

Dentro do escopo das suas responsabilidades e desafios está a função de criar e gerenciar um programa de integridade, garantindo a ética e a conduta da organização e de seus colaboradores, clientes e fornecedores. Essa responsabilidade exige o conhecimento de questões jurídicas, portanto, é muito comum que advogados ocupem essa função, seja como colaborador, servidor ou consultor externo.

Na prática, esse profissional deve conhecer com profundidade as atividades diárias do negócio, seus funcionários, clientes, fornecedores e toda cadeia de valor. Deve também investigar e mapear a que tipo de situações de risco a organização está exposta, criar planos de trabalho, desenhar processos, lidar com as pessoas, com a cultura interna e com tudo que a envolve.

Fica evidente então, que esse profissional também tenha intimidade com temas que vão muito além da ciência do direito, tais como administração, gestão, contabilidade, finanças, gestão de pessoas, ou seja, um profissional multidisciplinar.

Apenas se souber identificar todos os departamentos da organização e ser ágil nessa tarefa, o profissional conseguirá apontar quais são as fragilidades de determinado negócio e observar qual problema vem prejudicando ou que virá a causar determinado dano futuramente.

A perspicácia de um compliance officer o levará a observar que todo lado ruim também pode trazer algo bom para a organização. A partir daí ele pode montar estrategicamente o plano B para atuar em uma situação difícil pela qual sabe que a organização terá que passar.

Esse profissional precisa saber identificar a personalidade única e a forma de trabalhar de cada funcionário ou servidor, para que consiga aproximá-los de suas habilidades e afastá-los de setores que poderão vir a causar conflitos. Tal habilitação, portanto, demanda uma notável habilidade com instrumentos de gestão da administração de empresas e gerenciamento de projetos.

É temerário não levar em consideração a capilaridade dessa função, dentro de uma organização, e o perfil multifacetado desse profissional na hora da contratação e no posicionamento desse profissional na organização, pois o CCO pode ser comumente confundido com um tipo de polícia interna e pode, em poucos meses, ganhar a antipatia coletiva. O caráter repressor e burocrático que um advogado antediluviano exercendo a função de CCO pode ser tão nocivo quanto não tê-lo.

As competências pessoais de um bom Profissional de Compliance Officer vão muito além das formações meramente curriculares, é preciso saber lidar com as pessoas e com os instrumentos de gestão tanto quanto com a formalidade das leis.

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Liliana Santo

Fundadora e Presidente da EduCompliance.